A lichia (Litchi chinensis Sonn.), originária da China, é considerada como a rainha das frutas pelo seu sabor e aroma delicados, além do aspecto atraente. Quanto à botânica, pertence à família Sapindaceae, que tem representantes importantes no Brasil, como o guaraná (Paulinia cupana) e a pitomba (Talisia esculenta).
Variedades: No sudeste asiático, quente e úmido, há muitas variedades, algumas quase desprovidas de sementes. No Brasil, principiamos e muito lentamente. Pouco, quase nada se sabe a respeito. Há, porém, lichias com sementes grandes e outras quase sem sementes.
Climas:
A lichieira encontra sua ecologia de predileção nos climas tropical e subtropical úmidos. Teme as geadas e os verões secos. Os verões secos e as geadas são fatores limitantes –informa W.B.Hayes em Fruit Growing in Índia. Algumas variedades resistem a geadas não muito fortes. Se a pluviosidade é pequena e mal distribuída, a irrigação é indispensável. O ideal é uma pluvisidade igual ou superior a 1.500 milímetros mais ou menos bem distribuída. Acomoda-se a uma pluviosidade igual a 1.500 milímetros.
Solos:
Os solos sílico-argilosos e argilo-silicosos, férteis, profundos, são ótimos para a lichieira. Prefere os solos ácidos. Não lhe convêm os solos calcários.
Multiplicação:
A multiplicação pode ser sexuada e assexuada ou agâmica. No Brasil, em regra a lichieira é multiplicada por meio de sementes, embora este processo, muito prático e barato, tenha dois defeitos: a) não transmite integralmente as qualidades da árvore mãe; b) as mudas custam a frutificar, cerca de 10 a 15 anos. Na China e na Índia, só se usa uma multiplicação sexuada para produzir porta-enxertos. A lichieiras se multiplica por mergulhia, alporquia e enxertia. A mergulhia, embora lenta e custosa, é o processo mais usado na China e na Índia. A alporquia tem os mesmos defeitos, talvez agravados. Ambos os métodos, porém, produzem plantas idênticas à árvore-mãe e que frutificam com uns três a seis anos. Tem, em compensação negativa, um sistema radicular relativamente pouco desenvolvido e vivem menos do que os pés-francos. Na enxertia, usam-se como cavalos pés-francos de lechieira. Enxerta-se por borbulhia e garfagem. A pega não é fácil.
Plantio:
Se possível, ara-se e gradeia-se todo o terreno e faz-se uma adubação verde. Abrem-se covas de 50 centímetros de comprimento, largura e profundidade, com o espaçamento de 10 x 10 metros. Convém adubar cada cova com 20 litros de estrume de curral ou composto, misturado com 200g de nitrocálcio-petrobrás ou sulfato de amônio, 300g de farinha de ossos, 200g de superfosforo e 150g de cloreto de potássio. Plantam-se as mudas em dias úmido, no início da estação chuvosa.
Tratos culturais:
Fazem-se as carpas indispensáveis, de preferência com a grade de discos ou o cultivador.
Culturais consorciados:
São possíveis e aconselháveis nos primeiros anos, desde que não abafem as fruteirinhas. Preferem-se as leguminosas de curto ciclo vegetativo.
Podas:
Não há podas de formação. Podem fazer-se podas de limpeza, retirando-se galhos secos ou doentes, galhos maus colocados e ladrões.
Adubações:
A lechieira precisa ser adubada para frutificar regular e fartamente. Reage muito as adubações.
Colheita:
A colheita é fácil e pode ser farta se a ecologia for favorável e se as lechieiras, descendentes de árvores muito frutíferas, forem convenientemente tratadas. Tendo florado em agosto-setembro, o que ocorre no planalto paulista, a colheita se realiza em dezembro-janeiro. A safra varia bastante de um ano para outro.
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